Michelle Wendling

Têm pessoas com vocação para pagar mico. Eu sou uma delas. Não é brincadeira, não. Eu atraio toda e qualquer tipo de situação constrangedora, embaraçosa, além de ser estabanada, atrapalhada e o Murphy viver grudado na sola do meu sapato. A questão é que tudo, do básico da micagem ao supra-sumo do impossível, acontece comigo. Só comigo. O TÁXI Em viagem a São Paulo, colecionei uma dúzia destas situações para a minha coleção, da qual não me orgulho nenhum um pouco, embora as vezes pareça engraçado. Bom, para começar, tenho sérios problemas com táxi. Sim, a maioria das pessoas entra, diz o endereço e em algum tempo chega ao seu destino. Comigo, a história é mais longa. Na primeira vez, pedi para ir a Casa Cor. Lógico que o taxista não tinha ideia do que se tratava, mas se informou com um colega e disse que era no Jóquei. Beleza, let’s go! Juro que vi uma plaquinha escrito “Joquéi à esquerda”, mas o motorista virou à direita. Lá pelas tantas, viu que não sabia onde estava (e o maldito taxímetro rodando que era uma beleza). Voltas e voltas depois, o Marcelo “sugeriu” que ele perguntasse a... um taxista. Dito e feito, a pobre da vítima era muda!!!! E ficou lá, gesticulando segundo intermináveis até que alguém veio socorrer! Ok, tem mais uma. Pedimos a outro taxista para ir ao Ibiapuera. O veinho estava faceiro que só, pois aquela era a última viagem dele com aquele carro, com o qual ele teve “muita sorte”. Minutos depois, após longa discussão sobre “sorte” e “superstição”, o automóvel apagou no meio da rua. Com a maior cara-de-pau, ele disse que tinha faltado gasolina!!!! Afff... só sei que andei uns três quilômetros na banguela, a dois por hora naquela avenida caótica da metrópole! Pior foi quando ele parou no posto e pediu 5 pilas de álcool!!! Ui, queria virar uma dalit naquele momento, e ser apenas a poeirinha do pé do Brahma! Ok, devidamente abastecido, continuamos a viagem até o final. Quando saímos do carro, percebi que algo tinha ficado para trás. Era o veio e o carro da sorte, que pelo visto estava com algum problema a mais além da falta de gasolina! Depois de uns 10 minutos, espiei entre as frondosas árvores do parque, e ele continuava no meio da rua! :-S O CONSULADO Outra boa é a minha saga no Consulado. Eitaaaaaaaa pessoa com problemas motores como eu! Naquela pressão de “TENHA A FOTO EM MÃOS, TENHA OS FORMULÁRIO I-157 E A-129 EM MÃOS, PREENCHA TODAS AS LACUNAS ANTES DE PEGAR A SENHA”, tentei deixar tudo organizado, “em mãos” e por ordem. Pronto, foi a mulher pedir a foto que ela já caiu no chão, junto com um dos formulários, e virou uma zona!!! Tentei ser rápida e pegar outra foto no envelope, e a mulher já fazendo “mó” cara de manga pra mim. Ahhh, vai se catar! Eu tenho problemas, e ponto! Decidi catar meus papeizinhos só na hora em que pedissem, e tudo fluiu bem de resto! A CANETA Mas a pior de todas foi a caneta! Lógico que não lembrei de levar caneta ao Consulado, e precisei preencher à mão várias coisas na hora! Por sorte, procurei no buraco negro que é minha bolsa e achei uma. Na hora, um grande alívio, mas logo fiquei em pânico. A caneta estava completamente “envolta” em uma massa esverdeada, com alguns pedacinhos de papel branco e azul. Era o resquício do que, um dia, havia sido um Trident. O fato é que a Caneta estava uma caca, um nojo, mas enfim, escrevia. Toda mocoziada, perdi meu privilegiado lugar em frente ao painel eletrônico das senhas para me esconder enquanto preenchia um envelope. Não adiantou. A Lei de Murphy pegou geral, e todo mundo resolveu pedir ajuda a pessoinha aqui. Primeiro veio um analfabeto, pedindo para eu preencher o envelope para ele! Ok, tive que fingir que não estava vendo a nojeira da caneta enquanto preenchia os dados na frente do cara. Mas tudo bem, ele ficou eternamente agradecido. Depois, uma menina do meu lado PEDIU A CANETA EMPRESTADA!!!! Afff, eu não tinha o que fazer, ela viu eu escrevendo, não tinha como negar! Daí, não teve jeito, tive que avisá-la, em alto e bom som, que havia chiclete na caneta... :-(